A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio nos processos seletivos. Hoje, a IA determina quem é visto pelos recrutadores, quem é eliminado das seleções e até quem permanece empregado.

Uma nova pesquisa do Meu Currículo Perfeito sobre o uso de IA no recrutamento e nas demissões, realizada com 1.000 recrutadores, revela que a IA está incorporada na tomada de decisões sobre contratação e quadro de funcionários.

Desde a triagem de currículos até decisões relacionadas a reestruturações e cortes de pessoal, essas tecnologias desempenham um papel cada vez maior em decisões de alto impacto — nem sempre acompanhadas da mesma confiança em sua precisão e imparcialidade.

Os resultados mostram uma mudança significativa na forma como as empresas operam: processos mais rápidos e automatizados, mas nem sempre mais confiáveis.

O que este estudo analisa

O estudo investiga como os empregadores usam a inteligência artificial em processos de recrutamento, avaliação de candidatos e planejamento da força de trabalho. A pesquisa aborda níveis de adoção da tecnologia, práticas de filtragem de candidatos, confiança dos empregadores na imparcialidade da IA e as principais limitações observadas nesses sistemas.

Principais descobertas

  • A IA é amplamente usada em processos de contratação. 73% dos empregadores dizem que utilizam IA em decisões de contratação.

  • A IA filtra candidatos antes da revisão humana. 65% afirmam que a IA elimina candidatos automaticamente antes de uma pessoa analisar o perfil.

  • Altas taxas de rejeição são comuns. 14% dizem que a IA rejeita mais da metade dos candidatos.

  • Candidatos potencialmente qualificados estão sendo ignorados. 47% reconhecem que a IA pode ter descartado profissionais que eles teriam aprovado para as próximas etapas.

  • A IA está se expandindo para o planejamento da força de trabalho. 52% usam IA em decisões como reestruturações e definição de cargos.

  • A confiança na imparcialidade da IA é dividida. 51% acreditam que ela é justa em decisões relacionadas a demissões, enquanto 23% têm dúvidas.

  • A IA está fazendo julgamentos subjetivos. 51% usam IA para identificar candidatos considerados “de risco”.

A IA se tornou o primeiro filtro dos processos seletivos

Para muitos profissionais que buscam emprego atualmente, o primeiro “tomador de decisão” não é um recrutador, mas um algoritmo.

Quase dois terços dos empregadores (65%) afirmam que a IA rejeita candidatos automaticamente antes que qualquer pessoa analise suas candidaturas. Isso significa que uma parcela significativa dos candidatos nunca chega a um recrutador.

Os níveis de rejeição variam:

  • 26% dos empregadores dizem que a IA elimina entre 1% e 25% dos candidatos.
  • 25% afirmam que ela rejeita entre 26% e 50%.
  • 11% relatam rejeições entre 51% e 75%.
  • 3% dizem que a IA elimina mais de 75% dos candidatos.

As estatísticas de triagem automatizada de currículos em 2026 mostram que apenas 5% dos empregadores afirmam que a IA não rejeita candidatos em nenhuma etapa.

Os empregadores sabem que a IA nem sempre acerta

Apesar da ampla adoção, muitos empregadores reconhecem que os sistemas de IA não são totalmente precisos.

Quase metade dos entrevistados (47%) afirma que a IA pode ter eliminado candidatos que eles teriam aprovado para avançar no processo seletivo. Embora 17% digam que isso acontece raramente e 7% afirmem que nunca ocorre, a tendência geral revela uma preocupação importante: a automação pode resultar na perda de talentos qualificados.

A IA está avançando além do recrutamento e chegando às decisões sobre o quadro de funcionários

A inteligência artificial já não está limitada à contratação de novos colaboradores. Ela também começa a influenciar estratégias organizacionais mais amplas.

Mais da metade dos empregadores (52%) afirma utilizar IA em decisões de planejamento do quadro de funcionários, incluindo reestruturações e avaliação de cargos. Outros 28% estão considerando adotar a inteligência artificial para essas finalidades.

Enquanto isso, 20% afirmam que não pretendem usar IA no planejamento da força de trabalho.

A IA está sendo usada para fazer julgamentos subjetivos

Além de analisar qualificações, a IA está cada vez mais avaliando comportamentos e padrões de carreira.

Mais da metade dos empregadores (51%) utiliza IA para identificar candidatos considerados “de risco”, como profissionais que trocam frequentemente de emprego ou que possuem períodos sem vínculo empregatício em seu histórico. Outros 12% avaliam implementar esse tipo de funcionalidade.

A confiança na imparcialidade da IA está dividida

À medida que a inteligência artificial assume um papel maior nas decisões relacionadas à força de trabalho, a confiança em sua imparcialidade permanece desigual:

  • 51% dos empregadores acreditam que a IA é utilizada de forma justa em decisões de demissão.
  • 23% expressam dúvidas.
  • 26% não utilizam IA em decisões relacionadas a desligamentos.

O panorama geral: velocidade versus precisão nos processos seletivos

Em conjunto, os resultados apontam para uma transformação clara na forma como empresas contratam e administram seu corpo de funcionários.

A IA está acelerando processos e reduzindo tarefas manuais, mas também introduz novos riscos:

  • Candidatos qualificados podem ser eliminados antes mesmo de serem avaliados por uma pessoa.
  • As decisões de contratação estão sendo cada vez mais moldadas por sistemas automatizados.
  • O planejamento da força de trabalho está se tornando mais orientado por dados, mas nem sempre mais transparente.

O que isso significa para os profissionais

As principais estatísticas sobre o uso de IA nas demissões em 2026 mostram que profissionais em busca de emprego precisam navegar por um sistema em que a visibilidade depende cada vez mais de sua compatibilidade com critérios algorítmicos — e não apenas da avaliação humana.

O que isso significa para os empregadores

As organizações enfrentam o desafio de equilibrar eficiência e qualidade nas decisões. Embora a IA possa acelerar processos e reduzir custos operacionais, a supervisão humana continua sendo essencial para minimizar erros, evitar vieses e garantir avaliações mais justas.


Para informações relacionadas à imprensa, entre em contato com Nicole Ostrowska pelo e-mail nicole.ostrowska@bold.com.

Metodologia

Os dados apresentados neste relatório são baseados em uma pesquisa realizada pelo Meu Currículo Perfeito nos Estados Unidos, por meio da plataforma Pollfish, em março de 2026. O estudo coletou respostas de 1.000 profissionais de recursos humanos envolvidos em decisões de contratação e gestão da força de trabalho. Os participantes responderam a perguntas de sim/não, de resposta única e de múltipla escolha sobre o uso de inteligência artificial em recrutamento, avaliação de candidatos, resultados de diversidade e decisões de planejamento da força de trabalho, incluindo demissões e reestruturações.

Perfil dos participantes

A amostra incluiu empregadores de diferentes faixas etárias. A maior parcela dos entrevistados tinha entre 44 e 60 anos (44%), seguida por 28 – 43 anos (36%), 61 – 79 anos (12%) e 18 – 27 anos (8%). Os respondentes representavam organizações com diferentes níveis de adoção de inteligência artificial, incluindo empresas que usam ativamente a IA em recrutamento e planejamento da força de trabalho, aquelas em fase de avaliação da tecnologia e empresas que não usam atualmente essas ferramentas.

Sobre o Meu Currículo Perfeito

O currículo online do Meu Currículo Perfeito ajuda profissionais a alcançar seus objetivos de carreira de forma rápida e simples. A plataforma intuitiva oferece dicas práticas para fazer um currículo profissional e se destacar no mercado de trabalho. O Meu Currículo Perfeito disponibiliza também um gerador de cartas de apresentação que complementa sua candidatura. O sistema online é fácil de usar, seguro e conta com suporte ao usuário para criar um CV eficaz.

Beatriz Negreiros Gemignani

Beatriz Gemignani

Beatriz é redatora e especialista em carreira, com formação em Letras pela Universidade de São Paulo e experiência em produção de conteúdo voltado para o mercado de trabalho. Sua escrita reflete tanto o domínio técnico quanto a atenção às nuances da comunicação profissional.

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