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As melhores perguntas não são necessariamente as que parecem mais inteligentes. São as que revelam informações que não estavam na vaga e ajudam você a avaliar o cargo, o gestor e a empresa.
Veja neste artigo quais perguntas fazer ao entrevistador, como escolher as mais adequadas para cada etapa do processo e o que observar nas respostas para tomar uma decisão mais informada sobre a oportunidade.
Como escolher boas perguntas para fazer em uma entrevista
Uma boa pergunta de entrevista deve ajudar você a descobrir algo relevante sobre a vaga, a equipe ou a empresa — e não apenas mostrar que você se preparou.
Antes de escolher o que perguntar, aplique estes três testes:
- A resposta já está disponível? Evite gastar seu tempo com informações que podem ser encontradas facilmente no anúncio da vaga ou no site da empresa.
- A pessoa certa está respondendo? Adapte a pergunta ao entrevistador. O recrutador costuma saber mais sobre processo seletivo e condições da vaga; o gestor, sobre metas e desempenho; e futuros colegas, sobre a rotina da equipe.
- A pergunta pode gerar uma resposta concreta? Prefira perguntas que peçam exemplos, resultados ou situações reais em vez de descrições muito amplas.
Por exemplo:
Pergunta genérica: “Como é a cultura da empresa?”
Pergunta mais útil: “Você pode dar um exemplo recente de como a equipe trabalha junta para resolver um problema?”
A segunda formulação dificulta uma resposta baseada apenas em palavras como “colaborativa” ou “dinâmica” e ajuda você a entender como o trabalho acontece de fato.
Use esses critérios para preparar algumas perguntas antes da entrevista, mas adapte sua lista conforme a conversa avança. Se um assunto já tiver sido explicado, aproveite a resposta para aprofundá-lo em vez de repetir uma pergunta pronta.
Quais são as melhores perguntas para fazer na entrevista de emprego
As melhores perguntas para fazer em uma entrevista são aquelas que ajudam você a entender o que será esperado no cargo, como a equipe trabalha e quais desafios encontrará na prática. Prefira perguntas que levem o entrevistador a dar exemplos concretos, em vez de respostas genéricas.
Estas cinco funcionam bem na maioria das entrevistas:
Quais resultados fariam vocês considerarem que a contratação deu certo após os primeiros seis meses?
A resposta pode revelar as principais metas, indicadores e prioridades do cargo. Ela também ajuda você a entender como seu desempenho será avaliado desde o início.
Você pode dar um exemplo recente de como a equipe trabalha junta para resolver um problema?
Em vez de simplesmente perguntar sobre a “cultura da empresa”, peça uma situação concreta. Assim, fica mais fácil perceber como acontecem na prática a colaboração, a comunicação e a tomada de decisões.
Qual é o principal desafio que a pessoa contratada precisará enfrentar nos primeiros meses?
Essa pergunta ajuda a descobrir problemas que talvez não apareçam na descrição da vaga, como processos pouco estruturados, metas ambiciosas ou mudanças na equipe.
Quais são as prioridades da área para os próximos 6 a 12 meses e como esta função contribui para elas?
Além de mostrar onde o cargo se encaixa no negócio, a resposta ajuda você a avaliar se suas experiências e seu objetivo profissional estão alinhados ao que a empresa precisa.
Qual foi um exemplo recente de alguém desta equipe que desenvolveu novas responsabilidades ou avançou profissionalmente?
Perguntar por um caso real costuma revelar mais do que simplesmente questionar se existem “oportunidades de crescimento”. Observe se o entrevistador consegue explicar quais critérios, resultados ou competências favoreceram essa evolução.
Você não precisa fazer todas essas perguntas. Prepare algumas opções e escolha as que ainda não tiverem sido respondidas durante a conversa.
A melhor pergunta depende de quem está entrevistando você
A mesma pergunta pode ser excelente para um gestor e pouco útil para um recrutador. Antes de escolher o que perguntar, considere qual é o papel do entrevistador no processo e quais informações ele realmente pode oferecer.
| Quem está entrevistando | Pergunte principalmente sobre | Exemplo de pergunta |
| Recrutador ou RH | etapas do processo, faixa salarial, modelo de trabalho, benefícios e estrutura geral da vaga. | “Quais são as próximas etapas do processo e o prazo previsto para cada uma?” |
| Futuro gestor | metas, prioridades, desafios, recursos, autonomia e avaliação de desempenho. | “Qual é o principal resultado que você espera dessa pessoa nos primeiros seis meses?” |
| Futuro colega de equipe | rotina, colaboração, ferramentas, divisão de responsabilidades e dificuldades do dia a dia. | “Qual costuma ser o maior desafio da equipe na rotina e como vocês lidam com ele?” |
| Diretor ou executivo | prioridades do negócio, estratégia da área, mudanças futuras e impacto da função. | “Quais prioridades do negócio terão maior impacto nesta área nos próximos 12 meses?” |
| Recrutador externo | perfil procurado pela empresa, contexto da vaga, processo seletivo e próximos passos. | “O que a empresa considera mais importante no perfil da pessoa que assumir esta posição?” |
Também vale evitar perguntas que exigem informações que o entrevistador provavelmente não possui. Um recrutador pode não conhecer detalhes técnicos da rotina; um colega pode não saber como funciona a política salarial; e um diretor talvez não tenha visibilidade sobre tarefas operacionais do dia a dia.
A regra prática é simples: faça perguntas sobre aquilo que o entrevistador conhece em primeira mão. Além de aumentar a chance de receber uma resposta útil, isso permite comparar diferentes perspectivas ao longo do processo seletivo e formar uma visão mais realista da vaga.
Mais perguntas para fazer ao entrevistador
Além das perguntas essenciais, vale preparar outras opções de acordo com o que você ainda precisa descobrir sobre a vaga. Escolha as mais relevantes para a conversa em vez de tentar fazer uma lista inteira. Se determinado assunto já tiver sido explicado, aproveite a resposta para fazer uma pergunta mais específica.
Perguntas sobre o cargo
Estas perguntas funcionam melhor com o futuro gestor ou alguém que conheça bem a rotina da função:
Como é um dia típico nesta função?
Use para entender como as responsabilidades da vaga se distribuem na prática, principalmente quando a descrição do cargo é ampla.
Quais tarefas costumam ocupar mais tempo?
A resposta ajuda a distinguir as responsabilidades centrais daquelas que aparecem na vaga, mas têm menor peso no dia a dia.
O que costuma surpreender quem começa nesta função?
Pode revelar exigências, dificuldades ou particularidades que não ficaram claras no anúncio.
Que nível de autonomia esta posição terá?
Observe se existe clareza sobre quais decisões você poderá tomar sozinho e quais dependerão do gestor ou da equipe.
Esta função mudou recentemente?
Se sim, pergunte o que motivou a mudança. A resposta pode revelar novas prioridades, tecnologias ou reorganizações da equipe.
Perguntas sobre a equipe e a liderança
Prefira fazê-las ao gestor ou a futuros colegas, que vivenciam essa dinâmica diretamente:
Como as prioridades da equipe são definidas?
Ajuda a entender quem toma decisões e como a equipe reage quando surgem demandas concorrentes.
Como o feedback acontece no dia a dia?
Uma resposta concreta sobre frequência e formato costuma ser mais útil do que uma afirmação genérica de que a empresa “valoriza feedback”.
Com quais áreas esta função mais trabalha?
Use para descobrir quais relações internas serão importantes e quanto do trabalho depende de outras equipes.
Como as decisões importantes são tomadas?
A resposta pode indicar se existe maior autonomia individual, decisão coletiva ou forte dependência da liderança.
O que diferencia quem se destaca nesta equipe?
Procure por comportamentos, competências ou resultados específicos. Respostas muito vagas, como “vestir a camisa”, oferecem pouca informação sobre o que realmente é valorizado.
Perguntas sobre desafios e mudanças
O gestor costuma ser a melhor pessoa para responder, embora algumas também funcionem com RH ou colegas:
Por que esta vaga está aberta?
Uma expansão da equipe, uma substituição ou uma reorganização representam contextos bastante diferentes. Se for uma reposição, você pode perguntar como as necessidades da função mudaram.
Que problema a equipe mais precisa resolver agora?
Esta pergunta ajuda a descobrir onde a pessoa contratada poderá gerar impacto desde o início.
Que mudança recente mais afetou esta área?
Pode revelar mudanças de estratégia, processos, ferramentas, estrutura ou mercado que ainda não aparecem na descrição da vaga.
Em quais períodos a carga de trabalho costuma aumentar?
É uma forma mais natural de investigar picos de demanda do que perguntar genericamente se o trabalho é “estressante”. Se houver períodos intensos, pergunte como a equipe se organiza para lidar com eles.
Quais recursos e ferramentas estarão disponíveis para a função?
A resposta ajuda a entender se você terá sistemas, equipe, orçamento ou suporte compatíveis com os resultados esperados.
Perguntas sobre integração e desenvolvimento
O gestor e o RH podem oferecer perspectivas diferentes sobre estes temas:
Como funciona a integração de novos funcionários?
Pergunte quem acompanha a pessoa no início e o que normalmente acontece nas primeiras semanas.
Que treinamentos estão disponíveis para esta função?
Prefira exemplos concretos de cursos, acompanhamento ou aprendizagem no trabalho a respostas genéricas sobre “desenvolvimento contínuo”.
Como alguém passa a assumir novas responsabilidades?
A resposta pode revelar se o crescimento depende de resultados, tempo de empresa, disponibilidade de vagas ou iniciativa do próprio funcionário.
Perguntas para o final da entrevista
Estas são especialmente úteis com o recrutador ou responsável pelo processo seletivo:
Quais são as próximas etapas do processo?
É uma maneira profissional de descobrir se haverá novas entrevistas, testes ou outras avaliações.
Qual é a previsão para concluir a seleção?
Perguntar pelo cronograma do processo é diferente de pressionar o entrevistador para saber se você foi aprovado.
Há algo no meu perfil que você gostaria que eu aprofundasse?
Esta pergunta dá ao entrevistador a oportunidade de esclarecer alguma dúvida antes de encerrar a conversa e permite que você complemente uma resposta que tenha ficado incompleta.
Você não precisa usar todas essas perguntas. Prepare de três a cinco que realmente importam para sua decisão e adapte-as ao que surgir na conversa. Uma pergunta que retoma algo mencionado pelo entrevistador costuma ser mais natural e informativa do que uma pergunta pronta feita apenas para preencher os minutos finais.
O que observar na resposta do entrevistador
Uma boa pergunta só é útil se você prestar atenção à resposta. Ouça os exemplos, critérios e as expectativas do entrevistador.
Em uma pesquisa da Greenhouse, 53% dos participantes disseram que as responsabilidades anunciadas durante a contratação diferiam significativamente da realidade encontrada depois de assumir o cargo. Por isso, use suas perguntas também para verificar como a vaga funciona na prática.
| Se você perguntou sobre… | Um bom sinal é… | Preste atenção se… |
| Como o sucesso é medido | O entrevistador menciona metas, indicadores ou prazos concretos. | A resposta se limita a “ser proativo” ou “dar resultados”. |
| Por que a vaga está aberta | Explica claramente se houve crescimento, substituição ou reorganização. | A resposta é evasiva ou muda entre entrevistadores. |
| Crescimento profissional | Existem critérios e exemplos recentes de evolução na equipe. | A resposta promete crescimento, mas não explica como ele acontece. |
| Carga de trabalho | Picos de demanda são previsíveis e a equipe explica como se organiza. | Horas extras constantes são tratadas como algo normal ou esperado. |
Uma resposta vaga isolada não significa necessariamente que existe um problema. Compare o que diferentes entrevistadores dizem e observe principalmente inconsistências sobre responsabilidades, metas, carga de trabalho ou condições da vaga.
O que não perguntar em uma entrevista de emprego
Não é preciso evitar assuntos como salário, benefícios ou oportunidades de crescimento durante todo o processo seletivo. O mais importante é considerar o momento, o entrevistador e a forma de perguntar.
Isso é especialmente relevante quando a faixa salarial não aparece na vaga. Uma pesquisa da FGV e do Talenses Group mostrou que 75% dos participantes não consideravam as empresas transparentes sobre remuneração, indicando que esse é um tema relevante para os próprios candidatos.
Veja quando algumas perguntas fazem mais sentido:
| Situação | Como abordar |
| Primeira conversa com RH e salário não divulgado | “Você pode compartilhar a faixa salarial prevista para a posição?” |
| Entrevista com o futuro gestor | Priorize metas, responsabilidades, equipe e desafios. Questões administrativas podem ficar para o RH. |
| Etapa final sem informações sobre remuneração | Confirme a faixa salarial e as principais condições antes de avançar. |
| Proposta recebida | É apropriado discutir salário, benefícios, bônus e outros componentes da remuneração. |
Quais perguntas devem ser evitadas?
Evite principalmente perguntas que pressionem por uma decisão, demonstrem falta de pesquisa ou sejam formuladas apenas em benefício próprio, sem considerar o contexto da entrevista.
Por exemplo:
Então, como fui na entrevista? — prefira perguntar se há algum ponto do seu perfil que precisa ser esclarecido.
E aí? Consegui o emprego? — não pressione o entrevistador por uma decisão imediata.
Quando vocês vão me dizer se fui aprovado? — pergunte pelo processo, não pela decisão: “Quais são as próximas etapas e qual é o prazo previsto?”
Quando vão me fazer uma oferta? — a empresa talvez ainda esteja avaliando outros candidatos.
O que essa empresa realmente faz? — informações básicas sobre a organização devem ser pesquisadas ao se preparar para a entrevista.
Quanto tempo depois de entrar posso tirar férias? — salvo quando você já tem um compromisso previamente marcado que precisa informar, essa questão costuma fazer mais sentido em uma etapa posterior.
Perguntar sobre benefícios, bônus ou promoções não é um erro por si só. Com o RH ou em etapas mais avançadas, por exemplo, essas informações podem ajudar a decidir se a oportunidade vale a pena. Apenas evite focar nisso antes de entender as responsabilidades e expectativas do cargo.
Dica: prepare de três a cinco perguntas, mas não tente fazer todas. Se algumas já tiverem sido respondidas durante a entrevista, selecione as que ainda ajudam você a avaliar a oportunidade ou faça um follow-up sobre algo relevante que surgiu na conversa.
E se o entrevistador fizer uma pergunta inadequada?
Nem toda pergunta deve ser respondida apenas porque foi feita em uma entrevista. Segundo orientação do Ministério do Trabalho e Emprego, os questionamentos devem focar em formação, experiência, habilidades, disponibilidade e capacidade profissional. Pergunta pessoal sem relação com a função pode ser inadequada ou discriminatória.
Por exemplo, tenha cuidado com perguntas sobre:
- Intenção de ter filhos ou situação familiar;
- Religião ou opinião política;
- Orientação sexual;
- Finanças pessoais;
- Condições de saúde sem relação com as exigências da função.
Se uma pergunta parecer irrelevante para o trabalho, você pode redirecionar sua resposta para aquilo que afeta sua capacidade de exercer o cargo. Por exemplo: “Minha situação pessoal não interfere na minha disponibilidade para a função. Posso explicar como organizo minha rotina para atender ao horário solicitado.”
3 perguntas para fazer se você der branco
Preparar suas perguntas com antecedência ajuda, mas você não precisa memorizar uma lista inteira. Se chegar ao final da entrevista sem saber o que perguntar, escolha uma destas:
- Qual é a principal prioridade para quem assumir esta função?
- O que diferencia quem se destaca nesta equipe?
- Quais são as próximas etapas do processo?
Se todas já tiverem sido respondidas, não force outra pergunta apenas para demonstrar interesse. Você pode retomar algo mencionado durante a conversa e pedir um detalhe adicional.
Quer se preparar também para o outro lado da conversa? Veja as perguntas comuns de entrevista de emprego.
Beatriz Gemignani
Redatora especializada em carreira
Beatriz é redatora e especialista em carreira, com formação em Letras pela Universidade de São Paulo e experiência em produção de conteúdo voltado para o mercado de trabalho. Sua escrita reflete tanto o domínio técnico quanto a atenção às nuances da comunicação profissional.
Use a entrevista para melhorar seu currículo
A entrevista também pode revelar quais resultados, competências e indicadores a empresa realmente valoriza. Se você perceber que informações importantes ficaram de fora do seu currículo, aproveite esse aprendizado nas próximas candidaturas.
Por exemplo:
Antes: Responsável pelo atendimento de clientes.
Depois: Gerenciei carteira de 120 clientes B2B, mantendo NPS médio de 72 e 94% dos atendimentos dentro do SLA.
Use essas informações para tornar seu currículo mais específico e alinhado às vagas que você procura.
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