Uma pesquisa do meuCurrículoPerfeito com 1.000 profissionais da Europa revela que desconectar do trabalho ainda é um desafio. Mesmo em empresas que apoiam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, muitos trabalhadores ficam disponíveis além da jornada. 

Segundo o Relatório dos Profissionais Sempre Disponíveis 2026, 87% dos entrevistados afirmam que sua empresa respeita o direito à desconexão. Ainda assim, 85% dizem que já trabalharam mesmo estando doentes. Os dados mostram que a sobrecarga de trabalho, a falta de cobertura da equipe e as expectativas de chefes continuam dificultando a desconexão.

Principais descobertas

  • Trabalhar doente é comum: 85% dos profissionais relatam que já trabalharam enquanto estavam doentes em vez de tirar licença médica, incluindo 30% que fazem isso com frequência.

  • Desligar do trabalho ainda é um desafio: 78% dizem ter dificuldade para parar de pensar no trabalho durante o tempo de descanso, pelo menos ocasionalmente.

  • As férias nem sempre representam uma pausa de verdade: 63% afirmam que verificam assuntos de trabalho de alguma forma durante as férias.

  • O trabalho fora do expediente é frequente: 88% realizam tarefas profissionais fora do horário de trabalho pelo menos ocasionalmente, sendo que 58% fazem isso algumas vezes por semana ou mais.

  • Pedir folga ainda gera desconforto: 53% sentem culpa ou ansiedade ao solicitar dias de folga.

  • Carga de trabalho e expectativas da empresa alimentam a cultura de estar sempre disponível: falta de cobertura da equipe (30%), expectativas de chefes (28%) e excesso de trabalho (27%) são os principais fatores que dificultam a desconexão.

Trabalhar mesmo estando doente é uma prática comum

Perguntamos aos participantes se eles já haviam trabalhado mesmo estando doentes, em vez de tirar licença médica:

  • 30% responderam: sim, frequentemente
  • 55% responderam: sim, ocasionalmente
  • 15% responderam: não

No total, 85% afirmam que já trabalharam enquanto estavam doentes, sendo que quase um terço faz isso com frequência.

O que isso significa: para a maioria dos profissionais entrevistados, tirar licença médica não é a resposta automática quando ficam doentes. Os dados apontam para uma cultura de presenteísmo, na qual muitos sentem que precisam continuar trabalhando, em vez de priorizar a recuperação.

A maioria continua trabalhando fora do horário de expediente

A pesquisa mostra que trabalhar após o fim do expediente já faz parte da rotina de muitos profissionais.

Quando perguntados com que frequência verificam e-mails, respondem mensagens ou realizam tarefas de trabalho fora do horário contratado:

  • 29% responderam: todos os dias
  • 29% responderam: algumas vezes por semana
  • 14% responderam: algumas vezes por mês
  • 16% responderam: raramente
  • 12% responderam: nunca

Ao todo, 88% trabalham fora do horário de expediente pelo menos ocasionalmente, enquanto 58% fazem isso algumas vezes por semana ou mais.

Quase dois terços continuam conectados durante as férias

A pesquisa também mostra que muitos funcionários permanecem conectados ao trabalho mesmo durante as férias.

Quando perguntados se conseguem se desconectar completamente nos dias de folga:

  • 37% responderam: sim, completamente
  • 47% responderam: na maior parte do tempo, mas verifico e-mails ocasionalmente
  • 14% responderam: verifico e-mails ou mensagens regularmente
  • 2% responderam: continuo trabalhando ou atendendo ligações

No total, 63% afirmam acompanhar assuntos de trabalho de alguma forma durante as férias, embora a maioria diga que isso ocorre apenas para conferir e-mails eventualmente.

O que isso significa: as férias raramente representam uma pausa completa das responsabilidades profissionais. Mesmo quando tiram um período mais longo de descanso, o hábito ou a expectativa de acompanhar comunicações mantêm os profissionais conectados ao trabalho.

Muitos profissionais não conseguem se desligar mentalmente

Perguntamos com que frequência os entrevistados têm dificuldade para parar de pensar no trabalho durante o tempo livre:

  • 10% responderam: sempre
  • 31% responderam: frequentemente
  • 37% responderam: às vezes
  • 17% responderam: raramente
  • 5% responderam: nunca

Ao todo, 78% afirmam ter dificuldade para se desconectar mentalmente do trabalho pelo menos às vezes, incluindo 41% que enfrentam esse problema com frequência ou sempre.

Mais da metade sente culpa ao pedir folga ou licença

Solicitar férias ou licença médica ainda gera estresse para muitos trabalhadores. 

Quando perguntados com que frequência sentem culpa ou ansiedade ao solicitar oficialmente uma folga:

  • 6% responderam: sempre
  • 22% responderam: frequentemente
  • 25% responderam: às vezes
  • 21% responderam: raramente
  • 26% responderam: nunca

No total, 53% afirmam sentir culpa ou ansiedade ao solicitar folga pelo menos ocasionalmente.

O que impede os profissionais de se desconectarem

Os participantes também apontaram quais são as principais barreiras para conseguir se desligar completamente do trabalho após o expediente ou durante períodos de descanso. As respostas mais comuns foram:

Fatores operacionais

  • Falta de cobertura da equipe (30%)
  • Excesso de trabalho (27%)

Fatores culturais

  • Expectativas de chefes (28%)
  • Sentimento de culpa (18%)
  • Medo de ser substituído (14%)

Fatores pessoais

  • Aplicativos de trabalho no celular (17%)
  • Dificuldade em estabelecer limites (15%)
  • Medo de perder informações importantes (FOMO) (9%)

Apenas 20% afirmam não ter dificuldades para se desconectar do trabalho.

Embora 87% dos entrevistados afirmem que suas empresas respeitam o direito à desconexão fora do horário de trabalho, os resultados sugerem que políticas formais, por si só, não são suficientes para evitar uma cultura de disponibilidade constante. Sobrecarga de trabalho, equipes reduzidas e expectativas organizacionais continuam fazendo com que muitos profissionais permaneçam conectados após o expediente, durante as férias e até mesmo quando estão doentes.

Para informações relacionadas à imprensa, entre em contato com dorota.urban@bold.com.

Metodologia

Os dados apresentados neste relatório são baseados em uma pesquisa realizada em junho de 2026 com 1.000 profissionais empregados na Espanha, Itália, França e Alemanha. Os participantes responderam a perguntas de resposta única e de múltipla escolha sobre equilíbrio entre vida profissional e pessoal, uso das férias, direito à desconexão e monitoramento da produtividade no ambiente de trabalho.

Sobre o meuCurrículoPerfeito

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Beatriz Negreiros Gemignani

Beatriz Gemignani

Redatora especializada em carreira

Beatriz é redatora e especialista em carreira, com formação em Letras pela Universidade de São Paulo e experiência em produção de conteúdo voltado para o mercado de trabalho. Sua escrita reflete tanto o domínio técnico quanto a atenção às nuances da comunicação profissional.

* Bold não é associada a essas empresas.
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