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À primeira vista, os currículos parecem estar ficando mais curtos e mais simples. Mas os dados contam uma história mais complexa.
Ao comparar dois períodos de 12 meses, encontramos menos currículos extremamente curtos, uma preferência crescente por layouts de uma coluna e menos edições manuais. Ao mesmo tempo, algumas tendências gerais, como a redução nas listas longas de habilidades, desaparecem ao controlar a análise por profissão.
Neste estudo, analisamos 3,5 milhões de currículos finalizados no meuCurrículoPerfeito para entender o que mudou entre 2024 e 2026 e o que permaneceu estável.
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As principais mudanças nos currículos
Para entender como os currículos estão mudando, comparamos os dados de 1,7 milhão de currículos finalizados no gerador do meuCurrículoPerfeito entre setembro de 2024 e setembro de 2025 com os 1,8 milhão de CVs concluídos entre setembro de 2025 e setembro de 2026.
Veja nossas principais descobertas:

O que mais chamou a atenção no que descobrimos:
Currículos de até 100 palavras estão se tornando menos comuns: 4,7% → 3%, com queda também nas cinco profissões controladas;
Algumas habilidades mudaram de peso, com avanço de adaptabilidade e sinais de competências digitais mais específicas;
Currículos com layouts de uma coluna são ainda mais usados, de 63% a 71,2%;
Candidatos estão modificando manualmente menos a experiência: 12,4% → 9,8%, enquanto o tempo médio de criação caiu 42 segundos.
Como distinguimos mudanças reais de mudanças na amostra
Verificamos se o perfil profissional dos candidatos havia mudado nos dois períodos analisados, além de comparar os dados com cinco profissões que fizeram muitos currículos no período.
Descobrimos que:
A mediana de experiência passou de 37 meses para 40 meses, ou seja, de 3 anos e um mês para 3 anos e 4 meses;
O número de profissionais com mais de 10 anos aumentou: 17,4% → 19%;
A distribuição entre as cinco profissões foi parecida, embora com pequenas variações.
Como o perfil dos candidatos em 2025–2026 era ligeiramente mais experiente, também repetimos parte da análise dentro de cinco ocupações com alto volume de elaboração de CVs: auxiliar administrativo, vendedor, auxiliar de produção, motorista e técnico de enfermagem.
Currículos extremamente curtos estão perdendo espaço
Uma mudança consistente foi a queda dos currículos extremamente curtos. Documentos de até 100 palavras perderam 1,7 pontos percentuais, enquanto a faixa de 101 a 500 palavras ganhou espaço.
Veja os dados completos:
| Número de palavras | Set. 2024 – set. 2025 | Set. 2025 – set. 2026 | Mudança |
| Até 100 | 4,7% | 3% | −1,7 p.p. |
| 101–500 | 52,6% | 56,3% | +3,7 p.p. |
| Mais de 500 | 42,7% | 40,7% | −2 p.p. |
Para verificar se essa mudança poderia ser explicada apenas pela composição da amostra, repetimos a análise em cinco profissões com alto volume de currículos.
Nas cinco profissões:
- A quantidade de currículos com até 100 palavras caiu, entre -1,7 e -2,1 p.p.
- A faixa de 101 a 500 palavras também teve aumento, entre +0,5 e +2,3 p.p.
- A queda dos currículos com mais de 500 palavras não se repetiu: essa faixa ganhou participação em quatro das cinco profissões analisadas, entre -0,2 p.p. (auxiliar de produção) e +1,4 p.p. (técnico de enfermagem).
O principal movimento não é que os documentos estejam ficando mais curtos. O sinal mais consistente é outro: diminuição dos currículos extremamente breves e uma maior concentração na faixa de 101 a 500 palavras.
As habilidades mudaram mais no conteúdo do que na quantidade
Nos dados gerais sobre currículos, colocar 11 ou mais habilidades caiu de 20,3% para 17,2%. Isso poderia indicar que os candidatos estão usando listas mais curtas de competências.
O padrão, porém, não se repetiu quando comparamos profissionais das cinco ocupações:
- Auxiliar administrativo: 11+ habilidades caiu de 24,2% para 20,8%.
- Vendas: passou de 17,2% para 18,4%.
- Auxiliar de produção: de 16% para 16,7%.
- Motorista: de 29,4% para 34,2%.
- Técnico de enfermagem: de 31,2% para 34,8%.
A mediana de habilidades informadas no currículo também teve pouca variação:
- Na base geral, permaneceu em 6 habilidades.
- Em quatro das cinco profissões, ficou estável: 7 para auxiliar administrativo, 6 para vendas e auxiliar de produção e 8 para técnico de enfermagem.
- Apenas entre motoristas houve um aumento: de 7 para 8 habilidades.
Por isso, não interpretamos a queda dos currículos com 11 ou mais habilidades como evidência de que os candidatos estejam colocando menos competências no currículo.
Quais habilidades realmente mudaram?
As mudanças aparecem com mais clareza no tipo de habilidade escolhida. Trabalho em equipe continuou entre as competências mais frequentes, enquanto adaptabilidade ganhou espaço. Nas habilidades digitais, referências genéricas à informática perderam força, dando lugar a ferramentas mais concretas, como Office e Excel.
Veja alguns exemplos, com o número aproximado de vezes que cada grupo de habilidades foi selecionado:
| Habilidade | Set. 2024 – set. 2025 | Set. 2025 – set. 2026 | Mudança |
| Trabalho em equipe | 872 mil | 973 mil | +11,6% |
| Adaptabilidade / versatilidade | 396 mil | 500 mil | +26,2% |
| Informática e ferramentas digitais genéricas | 397 mil | 371 mil | −6,5% |
| Pacote Office / Excel | 177 mil | 220 mil | +24,2% |
No período analisado, vimos um aumento de cerca de 10,7% no volume total de escolhas de habilidades. Como a base também cresceu entre os períodos, o aumento no número absoluto de seleções não significa necessariamente que uma habilidade tenha se tornado proporcionalmente mais popular.
Isso ajuda a colocar os resultados em perspectiva: trabalho em equipe praticamente acompanhou o crescimento geral, enquanto adaptabilidade e Office/Excel registraram avanços bem mais expressivos. Já as menções genéricas à informática diminuíram até em números absolutos.
Os dados apontam, portanto, menos para uma mudança na quantidade de habilidades e mais para uma mudança no que os candidatos destacam. Adaptabilidade ganhou participação, enquanto, nas competências digitais, há sinais de maior preferência por conhecimentos e ferramentas mais específicos.
Dados do mercado de trabalho apontam para uma direção semelhante: entre 2025 e 2026, o levantamento do LinkedIn sobre habilidades em alta passou a destacar mais competências técnicas e específicas, como XML, JSON, automação de testes e ChatGPT.
Design discreto com uma coluna ficou ainda mais popular
A preferência dos usuários já era por modelos de currículo com uma coluna, mas isso se tornou ainda mais expressivo no último período. A escolha por layouts de uma coluna passou de 63% para 71,2%.
A mudança foi puxada principalmente pelos modelos de uma coluna com design mais discreto. Veja a escolha de estilo do currículo por nossos usuários:
| Modelo de currículo | Set. 2024 – set. 2025 | Set. 2025 – set. 2026 | Mudança |
| Uma coluna, design discreto | 41,7% | 54,8% | +13,1 p.p. |
| Uma coluna, mais elementos visuais | 21,3% | 16,4% | −4,9 p.p. |
| Duas colunas | 37% | 28,8% | −8,2 p.p. |
O crescimento não ocorreu em qualquer modelo de uma coluna. Enquanto as opções com design discreto passaram a representar mais da metade das escolhas, os modelos com mais apelo visual (seja em layout de coluna única ou dupla) registraram diminuição de preferência.
A criação do currículo está exigindo menos edição manual
Os candidatos estão interferindo manualmente no texto da experiência com menos frequência e terminando o currículo um pouco mais rápido.
Os dados mostram duas mudanças:
A proporção de usuários que modificou manualmente a descrição da experiência profissional no currículo caiu de 12,4% para 9,8% — uma redução de 2,6 p.p., ou cerca de 21% em termos relativos.
O tempo médio dedicado para criar o currículo caiu de 15,45 para 14,75 minutos, o equivalente a 42 segundos a menos.
Esses números não permitem concluir que os candidatos passaram a preferir editar menos. Parte da mudança pode refletir a evolução do próprio gerador, com sugestões mais completas, automação e recursos de IA que reduzem a necessidade de intervenção manual.
Ou seja, o processo de fazer um currículo está mudando junto com o currículo em si.
O que permaneceu estável?
Nem todos os componentes do currículo mudaram de forma relevante. Em alguns aspectos, o comportamento dos usuários permaneceu bastante estável.
Cerca de sete em cada dez currículos continuaram concentrados entre uma e três experiências profissionais: 69,2% em 2024 a 2025 e 70,1% em 2025 a 2026. A proporção com quatro ou mais experiências também variou pouco, de 21,8% para 22,9%.
Essa estabilidade chama atenção porque a população analisada ficou ligeiramente mais experiente. A mediana de experiência profissional acumulada passou de 37 para 40 meses, e a participação de currículos com mais de dez anos de experiência subiu de 17,4% para 19%. Ainda assim, isso não levou a um aumento expressivo no número de empregos apresentados.
A quantidade de habilidades também permaneceu relativamente estável quando analisamos as cinco ocupações separadamente. Embora a participação agregada de currículos com 11 ou mais competências tenha caído, a mediana geral continuou em 6 habilidades, e a tendência de queda não se repetiu nas cinco ocupações analisadas.
Esses resultados sugerem que algumas estruturas básicas do currículo, como quantas experiências e quantas habilidades apresentar, mudaram menos do que o layout, o tamanho do texto e o processo de criação.
Conclusão: o currículo está mudando, mas não simplesmente ficando mais curto
Os dados mostram mudanças reais na forma como os currículos são apresentados e criados, mas não apontam para uma tendência simples de redução. As principais diferenças aparecem em três frentes:
Visualmente: os modelos de uma coluna ganharam ainda mais espaço, especialmente aqueles com design discreto.
O tempo médio dedicado para criar o currículo caiu de 15,45 para 14,75 minutos, o equivalente a 42 segundos a menos.
Na criação: a edição manual ficou menos frequente e o tempo médio para criar o currículo caiu ligeiramente.
Os dados não apontam para um currículo simplesmente “mais curto”. O movimento mais claro é em direção a documentos visualmente mais simples, com menor presença de currículos extremamente curtos e menos edição manual durante a criação.
Metodologia
Este estudo amplia a análise apresentada em nosso levantamento sobre o currículo em números, comparando currículos finalizados no gerador do meuCurrículoPerfeito em dois intervalos de 12 meses: 1.712.790 CVs entre setembro de 2024 e setembro de 2025 e 1.821.668 CVs entre setembro de 2025 e setembro de 2026.
Os dados foram obtidos a partir das informações inseridas nos currículos e de métricas geradas durante sua criação, incluindo extensão do documento, habilidades, experiência profissional, escolha de modelos, edição e tempo de criação. Neste relatório, “mudança” significa uma diferença observada entre os dois períodos analisados.
Como comparamos os dois períodos?
Os dados são agregados e anonimizados, e o tamanho da amostra varia conforme a métrica analisada. Para reduzir o efeito de diferenças no perfil dos candidatos, também consideramos o tempo total de experiência e a profissão mais recente.
- Profissões: nas análises de tamanho do currículo e habilidades, repetimos a comparação dentro de cinco ocupações de alto volume presentes nos dois períodos: auxiliar administrativo, vendedor, auxiliar de produção, motorista e técnico de enfermagem.
- Cargos equivalentes: para manter a precisão, agrupamos apenas variantes essencialmente equivalentes do mesmo cargo, como “vendedor” e “vendedora” ou “técnico de enfermagem” e “técnico em enfermagem”. Cargos relacionados, mas diferentes, como vendedor e gerente de vendas, permaneceram separados.
- Habilidades: formulações semanticamente equivalentes foram agrupadas em um mesmo conceito para evitar dupla contagem. Por exemplo, “disposição para o trabalho em equipe” e “trabalho em equipe colaborativo” foram classificadas como “trabalho em equipe”. Alterações no catálogo, na formulação ou na apresentação das sugestões do gerador podem influenciar quais habilidades são selecionadas. Por isso, interpretamos essas mudanças no nível dos conceitos e evitamos atribuir grandes variações de uma única frase diretamente a mudanças no comportamento dos candidatos.
- Modelos: para analisar os layouts, classificamos os 30 modelos disponíveis no gerador em três grupos, conforme suas características estruturais: 11 modelos de uma coluna com design discreto, 6 de uma coluna com mais elementos visuais e 13 de duas colunas.
O que os dados não permitem concluir?
Como limitações do estudo, ressaltamos que:
- Os usuários do meuCurrículoPerfeito não representam necessariamente toda a população brasileira em busca de emprego;
- Mudanças no próprio produto, como automação, recursos de IA ou catálogo de habilidades, também podem influenciar alguns dos comportamentos observados;
- Diferenças entre os períodos não permitem afirmar que uma mudança tenha causado a outra.
Sobre o meuCurrículoPerfeito
O currículo online do meuCurrículoPerfeito ajuda profissionais a alcançar seus objetivos de carreira de forma rápida e simples. A plataforma intuitiva oferece dicas práticas para fazer um currículo profissional e se destacar no mercado de trabalho. O meuCurrículoPerfeito disponibiliza também um gerador de cartas de apresentação que complementa sua candidatura. O sistema online é fácil de usar, seguro e conta com suporte ao usuário para criar um CV eficaz.
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