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E se um currículo cheio de erros ainda conseguisse uma boa pontuação em um ATS?
Para descobrir até onde um sistema de triagem consegue “perdoar” um currículo problemático, criamos oito versões do mesmo documento e testamos cada uma no software Manatal.
Inserimos repetição de palavras-chave, descrições genéricas, erros de português, informações irrelevantes e até contradições.
O objetivo não era criar o pior currículo possível. Era testar, uma variável por vez, quais problemas realmente fazem diferença para o ATS e quais parecem muito mais graves para um recrutador humano do que para um sistema automatizado.
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O que realmente fez a pontuação do ATS mudar?
A principal descoberta foi que o que faz um currículo parecer ruim para uma pessoa nem sempre faz a pontuação do ATS cair. Algumas alterações problemáticas continuaram com a mesma pontuação do currículo controle (79%), enquanto outras chegaram a 97%, apenas por incluírem palavras-chave. Veja os detalhes:

Neste teste, o software Manatal não reduziu a pontuação quando incluímos erros de português, dados irrelevantes, contradições ou habilidades alocadas em seções secundárias. Já descrições genéricas da experiência resultaram em uma leve perda de dois pontos percentuais.
Veja nossos principais resultados:
Quatro das alterações testadas mantiveram exatamente a mesma pontuação da versão controle (79%): qualificações em uma seção menos relevante, erros de português, informações irrelevantes e informações contraditórias.
Os currículos com palavras-chave sem evidência e com excesso de palavras-chave chegaram a 97%.
Já tornar as experiências profissionais mais genéricas reduziu a pontuação para 77%.
Os resultados mostraram que a avaliação do ATS nem sempre acompanha o que consideramos um currículo de boa ou má qualidade.
Como o ATS reagiu a cada problema no currículo?
Entenda na tabela abaixo o que testamos em cada versão do currículo. Partindo de um currículo controle, criamos sete versões problemáticas, alterando um elemento por vez. Veja a pontuação que cada versão recebeu no Manatal:
| Versão | Principal mudança | Pontuação |
| Currículo controle | Versão de referência | 79% |
| Currículo com palavras-chave sem evidência | Palavras-chave na seção de competências, sem evidências correspondentes na experiência | 97% |
| Currículo com qualificações no lugar “errado” | Mesmas habilidades movidas para Informações adicionais | 79% |
| Currículo com excesso de palavras-chave | Repetição deliberada das palavras-chave no resumo e na experiência | 97% |
| Currículo com experiência genérica | Descrições de experiência como lista de funções, sem ferramentas ou resultados | 77% |
| Currículo com erros de português | Erros de ortografia, acentuação, concordância e grafia das palavras-chave | 79% |
| Currículo com informações irrelevantes | Inclusão de seções extras e conteúdos sem relação com a vaga | 79% |
| Currículo com informações contraditórias | Declarações conflitantes sobre qualificações e experiência | 79% |
Conheça como o software Manatal avaliou cada versão do currículo:

Para realizar o teste, usamos uma vaga fictícia de Analista de Marketing Digital em uma empresa de tecnologia, com requisitos obrigatórios e preferenciais. Entre os critérios avaliados estavam experiência em marketing digital, Google Analytics, gestão de campanhas digitais, Excel ou Google Sheets, além de conhecimentos em Google Ads, SEO e análise de dados.
Importante: os resultados não representam uma fórmula universal de ATS. Testamos um único sistema, uma única vaga e um único candidato fictício. Portanto, outros sistemas podem avaliar essas mesmas alterações de maneira diferente.
Quais erros o ATS ignorou e quais não ignorou?
Veja quais versões alteraram a pontuação do software e quais receberam a mesma avaliação que o currículo controle.
O que não reduziu a pontuação
Quatro das sete alterações que fizemos não mudaram a pontuação de 79% do currículo controle:
- Qualificações no lugar “errado”;
- Erros de português;
- Informações irrelevantes;
- Informações contraditórias.
Mas atenção: isso não significa que esses fatores sejam irrelevantes em um processo seletivo. Um recrutador pode avaliá-los de forma muito diferente, e outros sistemas ATS podem responder de outra maneira.
Veja o que notamos em cada um dos experimentos:
Ao testar as qualificações do CV no lugar “errado”, colocando-as na seção de informações adicionais, o sistema continuou dando o mesmo peso. Neste teste, portanto, a mudança de seção não alterou a correspondência identificada pelo Manatal.
As informações irrelevantes também não alteraram a avaliação do sistema. Não é possível afirmar, apenas pelo resultado, se o Manatal as ignorou ou se elas foram processadas sem impacto no cálculo da correspondência.
O resultado é especialmente interessante no caso dos erros de português. Alteramos ortografia, acentuação, concordância, pontuação e até a grafia de palavras-chave. Ainda assim, a pontuação permaneceu em 79%.
Mesmo na versão que apresentava afirmações conflitantes sobre experiência em determinadas áreas (requisitos da vaga), o sistema manteve a pontuação do controle. Isso sugere que a pontuação de compatibilidade não deve ser interpretada como uma avaliação da consistência ou da qualidade geral do currículo.
O que derrubou a pontuação
A única alteração que reduziu a pontuação em relação ao controle foi a versão com experiência genérica. Para esse teste, mudamos apenas as descrições da seção de experiência do CV, substituindo-as por frases vagas, eliminando contexto, ferramentas, atividades específicas e resultados.
O resultado foi uma queda de 79% para 77%. A diferença foi pequena, mas indica que essas informações ajudaram o Manatal a identificar a correspondência do candidato à vaga.
Neste experimento, portanto, detalhar a experiência profissional pareceu mais relevante para a pontuação do que erros de português, informações adicionais ou inconsistências entre diferentes partes do currículo.
Isso não significa que esse comportamento seja igual em todos os sistemas ATS. Mas reforça uma recomendação prática: evite descrições genéricas na experiência profissional. Explique o que você fez, em que contexto e, quando possível, quais resultados alcançou.
O que aumentou a pontuação (mesmo sendo uma má prática)
Os resultados mais inesperados apareceram nas duas versões que aumentaram a pontuação para 97%: o currículo com palavras-chave sem evidência e o currículo com excesso de palavras-chave.
Na versão com palavras-chave sem evidência, incluímos na seção de habilidades do CV algumas qualificações presentes na vaga, mas retiramos das demais seções o que poderia comprová-las. Ainda assim, o Manatal reconheceu essas correspondências e atribuiu 97%.
Na versão com excesso de palavras-chave, testamos o efeito da repetição. Mantivemos a seção de competências igual à do currículo controle e repetimos deliberadamente, de forma nada natural, palavras-chave relevantes na experiência e no resumo do CV. O resultado também foi 97%.
Esse teste nos mostrou que:
- A ausência de evidência profissional não impediu o sistema de reconhecer as qualificações declaradas;
- Repetir exageradamente as mesmas palavras-chave não trouxe uma pontuação maior do que a obtida quando elas simplesmente estavam presentes uma vez, de forma explícita na seção de habilidades.
Portanto, 97% não deve ser interpretado como uma recomendação para encher o currículo de palavras-chave. O resultado mostra apenas que, no Manatal e nesta configuração, essas práticas não foram penalizadas e produziram uma pontuação alta.
O que esperávamos que o ATS penalizasse vs. o que aconteceu
Antes do teste, algumas alterações pareciam ter grande potencial para reduzir a pontuação. Outras pareciam menos relevantes para o sistema. Os resultados, porém, nem sempre seguiram essa expectativa:
| O que testamos | O que esperávamos | Pontuação em relação à versão controle |
| Palavras-chave sem evidência | Não ser suficiente para demonstrar uma qualificação. | 97% (↑ +18 pontos) |
| Qualificações no lugar “errado” | Alterarar a correspondência. | 79% (sem mudança) |
| Excesso de palavras-chave | Reduzir a qualidade da correspondência. | 97% (↑ +18 pontos) |
| Experiência genérica | Ficar mais difícil identificar as qualificações. | 77% (↓ −2 pontos) |
| Erros de português | Prejudicar a compreensão das informações. | 79% (sem mudança) |
| Informações irrelevantes | Intervir na avaliação do currículo. | 79% (sem mudança) |
| Informações contraditórias | Gerar uma avaliação inconsistente. | 79% (sem mudança) |
O contraste mais interessante apareceu nas palavras-chave: tanto a versão sem evidências quanto a versão com repetição excessiva chegaram a 97%, enquanto a experiência genérica foi a única alteração que reduziu a pontuação. Isso reforça que uma pontuação de ATS não deve ser interpretada como uma medida da qualidade geral do currículo.
O que esses resultados dizem sobre currículos para ATS?
Podemos tirar algumas conclusões sobre como fazer um currículo para ATS, mas lembrando que o documento também será avaliado por uma pessoa.
Uma pontuação alta não significa um currículo melhor.
Uma pontuação de compatibilidade alta não comprova que o candidato realmente tenha aquela experiência.
O ATS não avalia tudo o que um recrutador avalia.
Erros de português, informações irrelevantes e contradições não alteraram a pontuação neste teste. Mas atenção: isso não significa que não tenham nenhum efeito no processo seletivo. Um recrutador pode interpretar esses problemas de forma completamente diferente.
Experiência específica ainda faz diferença.
Não gaste toda a energia tentando produzir um currículo artificialmente otimizado para o ATS. Descreva atividades, ferramentas, qualificações e resultados relevantes de forma clara e coerente com a vaga.
Por que uma pontuação de ATS não conta toda a história?
Os currículos que chegaram a 97% de correspondência não eram necessariamente melhores que o controle. Em uma das versões, incluímos palavras-chave relevantes sem apresentar evidências profissionais correspondentes. Em outra, repetimos essas palavras-chave de forma excessiva. Nos dois casos, o Manatal aumentou a pontuação em 18%.
Por isso, os resultados precisam ser interpretados com algum cuidado:
- A pontuação mede correspondência, não qualidade geral do currículo.
- 97% não significa que o candidato seja mais qualificado ou que seu currículo seja melhor que outro com uma pontuação menor.
- 79% não significa que o candidato seria rejeitado. A decisão de contratação envolve outros fatores além da correspondência identificada pelo ATS.
- O ATS pode reconhecer uma palavra-chave sem verificar se a experiência realmente a comprova;
- Problemas que não afetam a pontuação ainda podem prejudicar o candidato na avaliação humana.
O nosso teste, portanto, não mostrou que determinados “erros” são seguros ou que vale a pena tentar manipular a pontuação do ATS. Ele mostrou algo mais importante: uma boa pontuação é apenas uma parte da avaliação de um currículo.
Minha recomendação é: apresente experiências específicas, qualificações relevantes e informações claras e coerentes com a vaga. Assim você não interfere em suas chances de passar pela triagem e mantém a qualidade para quem vai ler o documento.
Metodologia
Para este estudo, criamos um candidato fictício e uma vaga fictícia de Analista de Marketing Digital em uma empresa de tecnologia. A partir de um único currículo controle, criamos outras sete versões deliberadamente problemáticas. Em cada versão, alteramos uma característica por vez para testar hipóteses específicas: presença de palavras-chave nas habilidades sem evidências no restante do currículo; localização das qualificações apenas na seção de informações adicionais; repetição excessiva de palavras-chave; descrições genéricas da experiência profissional; erros de português; informações irrelevantes; e informações contraditórias.
Testamos um sistema de triagem ATS: cada currículo foi submetido à mesma oportunidade no sistema de recrutamento Manatal, utilizando a mesma configuração de critérios exigidos (required) e preferidos (preferred) para a vaga. Assim, pudemos comparar como cada alteração afetava a correspondência entre o currículo e a vaga.
O objetivo não foi determinar quais práticas funcionam para todos os sistemas de triagem. O experimento foi realizado especificamente no Manatal e serve para observar como esse sistema respondeu às diferentes versões do currículo.
Para os dois testes que envolviam informações adicionais, fizemos o seguinte:
- Informações irrelevantes: mantivemos o conteúdo do currículo controle intacto e acrescentamos dados sem relação com a vaga, como hobbies, cursos de culinária e jardinagem, atividades voluntárias, CNH e participação em associação esportiva.
- Informações contraditórias: mantivemos as informações originais do currículo controle, mas acrescentamos declarações que as contradiziam. Por exemplo, a seção de experiência continuava citando análise de dados, enquanto a seção adicional dizia que o candidato possui apenas conhecimento básico nisso. Também criamos contradições relacionadas a outros requisitos da vaga: anos de experiência, experiência em campanhas digitais, ferramentas específicas e análise de palavras-chave.
A vaga fictícia que usamos para testar os currículos
Analista de Marketing Digital
São Paulo, SP (Híbrido)
Marketing
Estamos em busca de um(a) Analista de Marketing Digital com experiência em campanhas digitais, análise de dados e otimização de canais de aquisição para fazer parte do nosso time de Marketing.
Você atuará em um ambiente de tecnologia, trabalhando em parceria com as equipes de Conteúdo, Produto e Vendas para acompanhar resultados, identificar oportunidades de crescimento e melhorar continuamente nossas estratégias digitais.
Descrição da vaga
O que você fará
- Planejar, executar e acompanhar campanhas de marketing digital em diferentes canais, monitorando seu desempenho e propondo melhorias.
- Gerenciar campanhas de mídia paga em plataformas como Google Ads e Meta Ads, acompanhando investimentos, conversões e demais indicadores de desempenho.
- Utilizar Google Analytics e ferramentas de análise de dados para monitorar o comportamento dos usuários e avaliar os resultados das iniciativas de marketing.
- Acompanhar métricas de aquisição, conversão e engajamento, preparando relatórios e identificando oportunidades de otimização.
- Trabalhar em conjunto com os times de Conteúdo, Produto e Vendas para alinhar campanhas e ações de marketing aos objetivos do negócio.
- Realizar pesquisas de palavras-chave e colaborar com iniciativas de SEO para aumentar a visibilidade orgânica da empresa.
- Organizar dados e resultados utilizando Excel ou Google Sheets e apresentar análises para apoiar a tomada de decisões.
- Contribuir para a implementação e otimização de estratégias de CRM e automação de marketing.
O que buscamos
- Mínimo de 3 anos de experiência em marketing digital, growth marketing ou áreas relacionadas.
- Experiência com Google Analytics e análise de dados de marketing.
- Experiência com gestão de campanhas digitais e acompanhamento de métricas de desempenho.
- Domínio de Excel ou Google Sheets.
- Capacidade de analisar dados, identificar oportunidades e transformar resultados em recomendações práticas.
- Boa comunicação escrita e verbal e capacidade de trabalhar em colaboração com diferentes equipes.
Diferenciais
- Experiência com Google Ads, Meta Ads ou outras plataformas de mídia paga.
- Conhecimento de SEO e pesquisa de palavras-chave.
- Experiência com CRM e automação de marketing.
- Vivência em empresas de tecnologia, SaaS ou plataformas digitais.
- Conhecimento de métricas de aquisição, conversão e retorno sobre investimento.
- Experiência com testes A/B e otimização de campanhas.
- Familiaridade com ferramentas de visualização e análise de dados.
- Conhecimentos básicos de HTML e CSS.
- Ensino superior completo em Marketing, Publicidade e Propaganda, Comunicação, Administração ou áreas relacionadas.
Tecnologias e ferramentas que utilizamos:
Google Analytics, Google Ads, Meta Ads, Google Sheets, Excel, HubSpot, SEMrush, Ahrefs, Looker Studio e ferramentas de automação e IA.
O que este experimento realmente mostrou?
Os resultados mostram que uma pontuação alta no ATS não significa necessariamente que o currículo seja melhor. Um bom currículo para ATS não depende de repetir palavras-chave ou tentar obter a maior pontuação possível. Priorize uma experiência profissional clara, específica e relevante para a vaga.
* Bold não é associada a essas empresas.
**Usuários de nossas ferramentas foram anteriormente contratados por essas empresas.